ESTUDO CONSTATA QUE MAIOR PARTE DAS UNIDADES SANITÁRIAS EM SOFALA ESTÃO PREPARADAS PARA ADMINISTRAR A QPM
- Wanderleia Iris Noa
- 19 de dez.
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Os resultados do estudo PLUS IPTI, que visa reduzir o impacto da malária, especialmente em crianças com menos de dois anos de idade, foram divulgados na última sexta-feira (12), na cidade da Beira, província de Sofala. O estudo avalia a implementação da Quimioprevenção Perenal da Malária (QPM) como estratégia complementar no combate à doença.
Implementado pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), em colaboração com a London School of Hygiene and Tropical Medicine, o estudo foi conduzido nos distritos da Beira, Búzi e Machanga. Os resultados indicam que a maior parte das unidades sanitárias da província de Sofala está preparada para administrar a QPM. Um dos principais achados revela ainda que o tempo despendido pelos profissionais de saúde constitui o maior custo associado à implementação da estratégia em todas as unidades sanitárias avaliadas.
O estudo PLUS IPTI tem como objectivo informar a tomada de decisões em Moçambique — e contribuir para decisões a nível continental — sobre a eventual expansão da QPM, através da avaliação da sua implementação em termos de eficácia, acessibilidade e eficiência. A investigação utilizou uma abordagem quantitativa e qualitativa, sem linha de base nem grupo de controlo, recorrendo a amostragem propositada em cinco (5) unidades sanitárias por distrito, durante os anos de 2023 e 2024.
Durante a implementação do estudo, foram administradas quatro doses de Sulfadoxina-Pirimetamina em 146 unidades sanitárias e brigadas móveis, um esforço considerado essencial para a melhoria da saúde pública infantil.
Na ocasião, Pedro Aide, responsável da Área da Malária no CISM, destacou a importância da colaboração entre todos os intervenientes para o sucesso da iniciativa. “Partilhamos os resultados das fases um e dois da implementação da QPM com o objectivo de fomentar o diálogo sobre as melhores práticas, discutir as lições aprendidas e os desafios enfrentados, de modo a informar e apoiar a tomada de decisões. A malária continua a ser um grande desafio de saúde pública em Moçambique e em África”, sublinhou.
A divulgação dos resultados contou com a presença da Directora Provincial de Saúde de Sofala, Graciana Pita, que reiterou que a implementação de estratégias baseadas em evidência científica é uma prioridade para o Ministério da Saúde. “a medida que nos aproximamos da époco chuvosa, iremos, mais uma vez, vericar que a malária continua a ser uma das principais causas de consultas nas nossas unidades sanitárias. Nenhuma estratégia isolada é suficiente, é a conjugação de várias intervenções que nos permite alcançar melhores resultados. Os dados apresentados aqui são encorajadores e incentivam-nos a continuar, mesmo perante desafios a nível distrital”, afirmou.
Por sua vez, o Médico-Chefe da Província de Sofala destacou que, apesar da cobertura ter sido baixa em algumas unidades sanitárias, houve um esforço significativo. Acrescentou ainda que o estudo foi realizado antes da introdução da vacina contra a malária na província, o que abre espaço para futuras investigações sobre o comportamento do grupo-alvo após a introdução da vacina, considerando que os grupos-alvo são semelhantes.
Durante a sessão, Neusa Bando, da Direcção Provincial de Saúde de Sofala, enfatizou a importância da apropriação da estratégia por parte dos profissionais de saúde. “Cada técnico que atende os utentes deve sentir-se responsável pela implementação da QPM. O correcto preenchimento dos livros de registo é fundamental para garantir a qualidade dos dados. Existem desafios, mas também muitas histórias de sucesso.” Destacou ainda a necessidade de monitoria contínua dos técnicos formados, o reforço da supervisão e o envolvimento dos líderes comunitários, lembrando que estes devem ser constantemente sensibilizados sobre as mensagens-chave das diferentes estratégias implementadas em simultâneo. Bando acrescentou que houve boas práticas neste processo do estudo, tais como a supervisão e apoio técnico mensal e que, face aos desafios logísticos, o acompanhamento telefónico tem mostrado resultados positivos; as discussões quinzenais sobre QPM em alguns distritos; e a introdução do tema QPM nos grupos de nutrição e comitês de saúde.
A avaliação do processo do estudo, apresentada por Estêvão Mucavel, investigador do CISM, explicou que o estudo procurou compreender a aceitabilidade e a viabilidade da adopção da QPM como política pública, a partir das perspectivas de decisores políticos, profissionais de saúde e cuidadores de crianças. O estudo avaliou ainda a cobertura das doses de SP e das intervenções coadministradas, como vacinação, suplementação com vitamina A e desparasitação, e concluiu que a QPM é operacionalmente viável, bem aceite pelos cuidadores, e que a distribuição etária das doses administradas corresponde ao esperado.
Já a avaliação económica, apresentada por Hermínio Cossa, também investigador do CISM e responsável da Área de Estudos de População, teve como objectivo estimar os custos de implementação da QPM à escala nacional, modelar os casos de malária, mortes evitadas, bem como analisar a relação custo-efectividade da integração da QPM às intervenções existentes de controlo da malária em Moçambique.
De forma geral, os resultados mostram que os custos por visita do PAV variam entre unidades sanitárias, sendo o tempo dos profissionais de saúde o principal factor de custo. Verificou-se ainda que as unidades sanitárias conseguem integrar a QPM nos contactos existentes do PAV com recurso a reorganizações internas mínimas, e que as economias potenciais associadas à prevenção de casos de malária são significativas.
Actualmente, encontra-se em curso a elaboração de um artigo científico com os resultados do estudo, bem como a continuidade da disseminação dos dados junto de decisores e parceiros, com vista a apoiar futuras decisões sobre a expansão da QPM em Moçambique.





