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EXPANSÃO DO RASTREIO DA TB NÃO ACELERA O TRATAMENTO EM PACIENTES COM HIV

Os dados são revelados no âmbito do estudo EXULTANT
Os dados são revelados no âmbito do estudo EXULTANT

Um ensaio clínico realizado em Moçambique e na Tanzânia concluiu que a expansão do uso de testes moleculares em amostras de urina e fezes, para além do escarro, no diagnóstico da tuberculose (TB) em pessoas hospitalizadas vivendo com HIV, não resultou num início mais precoce do tratamento nem reduziu a mortalidade a curto prazo. Os resultados do ensaio denominado EXULTANT (Expanding Xpert MTB/RIF Ultra and lateral flow urine lipoarabinomannan testing for diagnosis of tuberculosis among adults living with HIV admitted to hospitals in Tanzania and Mozambique)  foram recentemente publicados na revista científica The Lancet Infectious Diseases.


Em Moçambique, o estudo foi implementado pelo Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), e pelo Instituto Nacional de Saúde (INS) em coordenação com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) e a Foundation for Innovative New Diagnostics (FIND), no âmbito do consórcio TB-CAPT (Close the gap, increase Access, Provide adequate Therapy), financiado pela European and Developing Countries Clinical Trials Partnership (EDCTP). O projecto contou igualmente com a participação de instituições parceiras da Tanzânia, outro país onde o estudo foi implementado, nomeadamente o Ifakara Health Institute (IFAKARA) e o National Institute for Medical Research (NIMR).


O ensaio clínico, partiu de um contexto em que a tuberculose continua a ser a principal causa de morte entre pessoas vivendo com HIV, sendo o diagnóstico particularmente desafiante devido à frequência de sintomas inespecíficos, formas extrapulmonares da doença e dificuldade de muitos pacientes em produzir escarro (uma das principais amostras usadas para o diagnóstico da TB). Deste modo, o EXULTANT avaliou novas abordagens de diagnóstico baseadas em amostras alternativas, como urina e fezes, com o objectivo de melhorar a detecção de casos e acelerar o início do tratamento.


O estudo envolveu 11 unidades sanitárias nos dois países, cobrindo cerca de 11.700 adultos vivendo com HIV internados, independentemente da presença de sintomas de tuberculose. Os participantes foram divididos em dois grupos: um grupo de intervenção, submetido a rastreio expandido com testes moleculares Xpert MTB/RIF Ultra em amostras de escarro, urina e fezes, juntamente com o teste urinário LF-LAM; e um grupo de controlo, que seguiu o protocolo padrão recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), baseado na avaliação de sintomas e no uso direcionado dos testes diagnósticos.


Segundo Marta Cossa, primeira autora do estudo e investigadora do CISM, o objectivo era avaliar se a integração destas novas abordagens aumentaria o número de pacientes diagnosticados e tratados precocemente. Contudo, “os resultados mostraram que a estratégia expandida não trouxe diferenças significativas no início precoce do tratamento nem na redução da mortalidade”, explica.


Os resultados indicam que 16% dos pacientes do grupo de rastreio expandido iniciaram o tratamento nas primeiras 72 horas após o internamento, comparativamente a 15,3% no grupo padrão. A mortalidade após oito semanas também não apresentou diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos. Ainda assim, estudo identificou aspectos importantes sobre a utilização de amostras alternativas. Para Dinis Nguenha, investigador também do CISM, “cerca da metade dos participantes conseguiu fornecer amostras de escarro, o que reforça o potencial da urina e das fezes como alternativas viáveis para o diagnóstico da TB em pacientes hospitalizados vivendo com HIV”.


Embora os testes realizados em urina e fezes tenham permitido identificar alguns casos adicionais de tuberculose, esse aumento no rendimento diagnóstico não se traduziu num tratamento mais rápido nem em redução da mortalidade.


De acordo com o coordenador da área de Tuberculose no CISM, Alberto Gárcia-Basteiro, os resultados demonstram a necessidade de continuar a optimizar os algoritmos de diagnóstico da TB em pessoas vivendo com HIV, reforçando igualmente o papel das amostras alternativas como complemento ao escarro no contexto hospitalar.


Os autores recomendam que estudos futuros, se concentrem na melhoria da implementação dos testes actualmente disponíveis e no desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico mais precisas, simples e adaptadas à realidade hospitalar de países com elevada carga de TB e HIV, como Moçambique.


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