OMS APROVA A PRIMEIRA VACINA CONTRA A MALÁRIA

Atualizado: 8 de out. de 2021



A OMS recomenda a utilização da Vacina RTSS,S como ferramenta de controlo da malária em África

Manhiça, Outubro de 2021 – Foi dado mais um passo importante na luta contra a malária. A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomendou ontem (06/10) numa conferência de imprensa conjunta dos seus principais órgãos consultivos para imunização e malária, o uso alargado da vacina contra a malária MosquirixTM, conhecida em Moçambique pelo seu nome científico RTS,S, para o qual, o CISM participou activamente no seu desenvolvimento clínico. O anúncio foi feito após a revisão do pacote completo de evidências sobre a vacina RTS, S e das principais conclusões do programa-piloto da vacinação contra malária concluído recentemente em 3 países africanos (Gana, Quénia e Malawi).


De acordo com a fonte oficial, a RTSS / AS01 (RTS,S) é uma vacina que atua contra o Plasmodium falciparum, que é o parasita da malária mais mortal em todo o mundo e o mais prevalecente em África. Os dados do estudo piloto mostraram que a vacina tem um perfil de segurança favorável, reduz significativamente a malária moderada e grave, e pode ser aplicada de forma eficaz em programas de vacinação infantil em contextos reais, mesmo durante a pandemia da COVID19, como ferramenta complementar e adicional para controlo da malária, sem no entanto substituir o pacote básico de medidas preventivas, diagnósticas e de tratamento recomendadas por este organismo internacional.


O Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM) em parceria com o Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal) vem trabalhando há mais de uma década no desenvolvimento clinico da RTS,S. Em 2002 realizaram um estudo que permitiu demonstrar a segurança e eficácia da vacina contra a malária em crianças moçambicanas, e que abriu espaço para o ensaio clínico multicêntrico de fase III. Os resultados deste ensaio clínico realizado durante aproximadamente cinco anos em 13 centros de investigação de oito países africanos, incluindo Moçambique através do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, juntamente com a GlaxoSmithKline (GSK) e a PATH Malaria Vaccine Initiative (MVI), sob financiamento da Fundação Bill & Melinda Gates, permitiu que a OMS recomendasse a realização do programa-piloto cujas conclusões foram hoje apresentadas.


Segundo Francisco Saúte, Director Geral do CISM, “este é um passo muito importante na luta contra a malária, e sem dúvidas representa um grande orgulho para o CISM, mas também para os moçambicanos, pois, podemos afirmar que contribuímos de forma significativa para o desenvolvimento clínico da primeira vacina no mundo contra a malária”.


A implementação do programa piloto da vacina contra malária realizado no Gana, Quênia e Malawi, foi coordenado pela OMS e apoiado por grupos de parceiros nacionais e internacionais, e iniciou em 2019. Neste período, mais de 800.000 crianças receberam pelo menos uma dose de RTS,S em áreas selecionadas destes países. Até então, um total de 2,3 milhões de doses foram administradas, por meio de programas de imunização de rotina, liderada pelos Ministérios da Saúde dos 3 países participantes. Este programa, abordou especificamente questões pendentes relacionadas ao uso da RTS,S na saúde pública – mais concretamente, para avaliar: a viabilidade de administrar as 4 doses recomendadas da vacina; o papel da vacina na redução das mortes infantis; e, a sua segurança no contexto do uso de rotina.


Leonardo Simão, Presidente da Fundação Manhiça, Alto Representante da Parceria entre Países Europeus e Países em Desenvolvimento para a Realização de Ensaios Clínicos (EDCTP), e membro de diferentes órgãos consultivos da malária, afirma que num ano em que o CISM celebra os seus 25 anos de existência, “esta notícia destaca a importância dos esforços que se está a fazer para garantir a excelência na investigação em África através do reforço de capacidades visando a realização de ensaios clínicos com o rigor suficiente para atender os mais altos padrões de qualidade internacionais”.


Em Moçambique, a malária continua a ser uma das principais preocupações para o Sistema Nacional de Saúde, e o país é um dos 6 países que concentram a metade dos casos de malária em todo o mundo, segundo dados do relatório mundial da malaria da OMS (WHO World Malaria Report, 2019). A região Africana é a mais afectada por esta doença, que concentrou em 2018 cerca de 93% dos casos (213 milhões), seguida da Região do Sudeste Asiático (3,4%) e da Região do Mediterrâneo Oriental (2,1%).


Portanto, a adição da vacina RTS,S às intervenções actualmente recomendadas para o controlo da malária pode salvar dezenas de milhares de vidas anualmente e reduzir a mortalidade infantil em África.


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